A VT ouviu especialistas para responder às questões mais importantes sobre crianças e adolescentes que viajam sem os pais.
Em agosto, o caso de Jacqueline Ruas, de 15 anos, comoveu o país. A menina morreu no avião, por complicações de uma pneumonia, no retorno de Orlando. À parte o desfecho trágico, a história envolve uma questão fundamental em viagens com menores desacompanhados: os jovens estão sendo bem cuidados?
Quem é o responsável pela segurança e pelo bem-estar do menor em uma excursão?
A agência, na figura do guia de turismo, passa a ser o responsável legal pelo menor desde o momento em que os pais assinam a autorização de viagem. O vínculo legal é tamanho que, se o jovem for pego roubando, é o guia que pode parar na cadeia.
Qual é a formação dos guias de turismo? Posso pedir algum tipo de documento para a agência antes de fechar negócio?
Por lei, os guias de turismo precisam ter cadastro no Ministério de Turismo (MTur) e fazer um curso técnico em turismo. Se o passageiro achar necessário, ele pode pedir para ver a carteirinha do MTur. O problema é que nem todas as empresas exigem a documentação dos funcionários e elas próprias dão treinamento à equipe.
O grupo fica acompanhado o tempo inteiro?
Sim. Nas excursões para Orlando, apenas dentro dos parques e outlets costuma haver, ao fim do asseio, tempo livre. Nos hotéis, seguranças e staff também ficam atentos para avisar qualquer "fuga" aos monitores.
Num pacote, o jovem pode decidir voltar antes? Qual é o procedimento?
Pode, contanto que tenha o consentimento dos pais. Mas a família é que deve arcar com as despesas. Por isso é importante ponderar se o menor tem preparo para viajar sozinho. Timidez excessiva, desorganização, dificuldade em respeitar hierarquia são fatores que podem complicar uma viagem. Já em situações de emergência ou doenças, um médico deve avaliar a necessidade de adiar ou adiantar o retorno. A questão financeira vai depender da cobertura do seguro-viagem.
O seguro-viagem é especial para menores de idade? Em uma emergência, os pais podem embarcar para ir ao encontro do filho?
O plano de seguro é o mesmo independentemente da idade. Em geral, os pacotes incluem os mais básicos (com coberturas inferiores a 10 000 dólares). Elas podem não garantir, por exemplo, internação ou passagem aérea para um familiar em caso de emergência. E a assistência médica nos Estados Unidos é caríssima - uma cirurgia de extração do apêndice pode custar cerca de 25 000 dólares.
A quais sintomas de doença deve-se ficar atento a ponto de decidir cancelar a viagem?
É importante não menosprezar sinais aparentemente simples como diarreia ou febre. Atenção, em especial, a menores de 12 anos, que têm dificuldade de discernir e explicar como estão se sentindo - o que diferencia um diagnóstico mais preciso de uma manha.
Fontes: Ricardo Moesch, coordenador de serviços turísticos do Ministério do Turismo; Cristina Baumgarten, presidente da Federação Nacional de Guias de Turismo; Jessé Reis Alves, médico responsável pelo serviço consulta do viajante, do Laboratório Fleury; Rui Badaró, advogado e presidente do Instituto Brasileiro das Ciências do Turismo; Renata Perez, guia de turismo e coordenadora da RCA Turismo em Orlando.