Voos costumam atrasar. Mas o que fazer quando seu avião sai,não depois, mas antes do horário?
"Meus filhos nos presentearam com uma viagem da CVC a Buenos Aires. Para nossa surpresa, quando chegamos à fila do check-in, olhei para o quadro de informações de voos e vi que nosso avião, que estava marcado para sair às 21h35, já estava prestes a decolar às 20h30. Desesperada, fui conversar com uma das funcionárias da Gol e ela disse que já não era mais possível embarcar. Acabamos remarcando o voo para o dia seguinte e perdemos, assim, um dia de nossa viagem. Quando retornamos ao Brasil, a moça da CVC que nos atendeu afirmou que tinha nos avisado sobre a alteração de horário, mas eu nunca fui informada de nada." - Nóris Honscha Botelho, Porto Alegre, RS
Ao contrário de voo que atrasa por razões (na maioria das vezes) imprevisíveis, o caso de Nóris não chegaria a esse ponto se ela tivesse sido informada antes sobre a mudança de horário. A passageira conseguiria pegar o avião não fosse um deslize do próprio casal: eles chegaram ao aeroporto com apenas uma hora de antecedência, quando o recomendado para viagens internacionais é de, no mínimo, duas horas. Ainda assim, quem é responsável em uma situação dessas: a agência ou a companhia aérea?
O que diz a empresa
A CVC alegou que a agência chegou a telefonar para Nóris avisando sobre a alteração de horário; porém, reconheceu que a filial falhou em não passar a informação por escrito. Também procurada pela reportagem, a Gol afirmou que a mudança ocorreu por causa de um remanejamento na malha aérea. A companhia disse que comunicou à CVC em março (a viagem do casal foi feita na Páscoa) o novo horário.
Quem tem razão
Nóris teve sua parcela de responsabilidade ao chegar tarde ao aeroporto. A recomendação das companhias aéreas para qualquer voo internacional é de no mínimo duas horas de antecedência. As mudanças de horário dos voos estão previstas no bilhete aéreo - a Anac permite alterações de até quatro horas do estipulado. Claudio Candiota, advogado e presidente da Associação de Defesa do Consumidor de Transporte Aéreo (Andep), porém, não acha justa a modificação. "A passagem aérea é um contrato entre a companhia e o passageiro. Se há mudanças, há quebra de contrato", diz ele.
Final feliz?
A CVC assumiu o erro e reembolsou a diária não utilizada em Buenos Aires. Nóris achou pouco, mas não pretende acionar a operadora. "No fundo, depois de tanta confusão, eu só queria um pedido de desculpas..."